No Eixo da Morte

No Eixo da Morte – 1997

Direção: Afonso Brazza

Roteiro: Afonso Brazza, Claudette Joubert

Elenco: Afonso Brazza, Claudette Joubert, Antônio Luiz, Ari Costa

É difícil falar mal de um filme sabendo que ele foi feito aos trancos e barrancos e só saiu porque os envolvidos tiveram muita vontade de fazê-lo. “No eixo da Morte” é um filme de Afonso Brazza, um cineasta que realizou todos seus filmes na cara e na coragem, rodando com negativos velhos, elenco sem atores profissionais e com a ajuda de muitas pessoas. Brazza chegou a vender balas de coco para arrecadar dinheiro e finalizar esse filme.

Todo o suor do cara não apaga um fato, o filme é ruim, cheio de clichês, erros de continuidade, com diálogos desconexos, uma falta de sincronismo bizarra, mas mesmo assim é engraçado pra caramba. Não vou bater na tecla sobre coisas que poderiam ser feitas com mais recursos financeiros, já que essa não era a realidade de Brazza, mas escrever um roteiro com lógica e editar as coisas de forma coerente não necessita de muito dinheiro, apenas conhecimento e um pouco de noção.

“No eixo da Morte” começa com o milionário Diogo e sua filha Gina fazendo um passeio pela torre de TV de Brasília, quando a moça é raptada pelos homens de Brazão, um bandido procurado no mundo todo. O pedido de rasgate de Brazão é simples, uma grana e a libertação de seis de seus homens. Diogo providencia tudo isso, mas para fazer o serviço contrata o Profissional, um matador que no momento está aposentado, mas como recebeu ajuda de Diogo no passado, aceita voltar ao ramo e libertar Gina.

Profissional liberta os homens de Brazão e parte para entregar o dinheiro para trocar por Gina. O resgate corre tranquilamente, quando do nada um tiroteio começa e Profissional mata alguns homens de Brazão e foge com Gina do local. Inicia-se uma caça aos dois e Profissional deve levar Gina salva ao pai e cumprir a sua missão.

O cuidado estético é zero, com mudanças de ambiente do nada, cenas gravadas em horários diferentes e colocadas como se fossem sequência, atores que caem antes do tiro chegar e uma trilha sonora que em muitos momentos é engraçada, beirando o ridículo. Uma coisa merece ser dita, todos esses “erros” são comuns no trabalho de Brazza, ele fazia seus filmes assim, sabia dos erros e deixou que eles se tornassem uma marca, algumas coisas foram feitas de proposito para divertir o público.

Parabéns por fazer um filme na cara e na coragem assim, mas de qualquer forma um pouco de cuidado ajuda, não presta

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