A Marca da Maldade

touchofevilTouch of Evil – 1958

Direção: Orson Welles

Roteiro: Orson Welles

Elenco: Orson Welles, Charlton Heston, Janet Leigh, Joseph Calleia, Akim Tamiroff, Dennis Weaver, Marlene Dietrich, Zsa Zsa Gabor, Joseph Cotten

Bem, como passei o último mês me aprofundando na vida de Orson Welles, principalmente em três filme dele, “Cidadão Kane”, Othello” e esse “A Marca da Maldade”, nada mais justo do que escrever sobre eles.

“A Marca da Maldade” marca o retorno de Orson Welles como diretor a Hollywood depois de longos dez anos gravando seus filmes na Europa e África. A volta de Welles foi mais por uma confusão do que nada, já que inicialmente ele apenas atuaria e só depois o convite para dirigir foi feito. De um texto mediano, Welles transformou o roteiro em um bem estruturado filme, sendo referência muitos anos depois em vários aspectos. Welles alterou a cidade aonde se passa o filme, que se transformou em uma cidade ficticia na fronteira entre os Estados Unidos e México, Los Robles, alterou a profissão de Mike Vargas e aumentou enormemente a participação de Hank Quinlan. Em resumo, o texto original, baseado no livro de Whit Masterson, foi fortemente alterado e para a melhor.

O filme possui duas versões, uma feita durante a pós-produção, que foi editada após Welles ter sido demitido de sua função de diretor pela produtora e outra feita em 1998 seguindo algumas indicações deixadas por Welles em um memorando que dizia detalhadamente o que ele acreditava que fosse uma edição ideal.

Os primeiros minutos são compostos de um dos mais perfeitos planos sequências da história do cinema, começando com um primeiro plano em uma banana de dinamite na mão de uma pessoa não identificada, que após escutar as risadas de uma mulher, corre até um carro e coloca a dinamite no porta malas. Um casal entra no carro e a câmera começa a segui-los pelas ruas da cidade, até que aparecem na cena Mike Vargas (Charlton Heston), policial da Cidade do México e sua esposa Susan Vargas (Janet Leigh), que caminham em direção a fronteira para a sua lua de mel, a partir dai a câmera começa a seguir o Vargas e sua esposa, deixando o carro apenas como fundo. Após cruzarem a fronteira e darem o primeiro beijo em mais de uma hora, o momento de romantismo é quebrado com a explosão do carro já do lado dos Estados Unidos e Vargas corre para saber o que estava acontecendo.

As vítimas eram um grande empresario da região e uma nova namorada e o incidente pode causar problemas para o México e assim Vargas começa a se inteirar do caso juntamente com a policia local. A policia espera a chegada de Hank Quinlan (Orson Welles), experiente policial local, que resolve seus casos usando a sua infalível intuição. Por mais estravagante e arrogante que seja, Quinlan é um grande profissional, sendo muito respeitado por todos. Tomando totalmente conta da situação Quinlan mostra a Vargas quem manda.

Longe do tumulto, a esposa de Vargas retorna ao hotel, mas é convidada por um homem a acompanhá-lo para verificar um assunto de interesse de seu marido. Susan é levada até Joe Grandi (Akim Tamiroff), mafioso local e irmão de um homem a quem Vargas acaba de mandar para a prisão. Grandi tenta intimidar Susan, mas a dedicada esposa de Vargas não cede as ameaças e após alguns minutos de conversa sai do local, mas para Grandi o recado estava dado. Em uma conversa com o marido, Susan decide se hospedar em um hotel do lado da fronteira americana, mas nem se da conta que o proprietário do local é Grandi, que manda seus homens drogá-la e raptá-la.

As investigações de Quinlan encontram um suspeito, o namorado da filha da vitima, e em uma batida na casa dos dois é achada uma dinamite em um local que instantes antes Vargas havia visto e não encontrado nada. Sabendo que a prova era falsa, Vargas se contrapõe a Quinlan e a rivalidade entre os dois só aumenta. Enquando Vargas procura provar que o suspeito é inocente, Grandi querendo tirar vantagem da situação,  oferece um acordo a Quinlan para desmerecer Vargas e resolver o problema de ambos. Por mais que seja um policial perseverante e com um forte senso de justiça, Quinlan aceita a proposta, já que se Vargas provar a farsa da dinamite sua carreira iria afundar.

Susan é levada drogada para um hotel de Grandi e lá Quinlan resolve desfazer seu acordo com Grandi e acaba matando o mafioso, deixando a sujeira toda para cima de Susan. O escandalo poria fim a carreira de Vargas e a reputação de sua esposa, mas com a ajuda de Menezies (Joseph Calleia), amigo de Quinlan, mas que havia percebido a farsa, ele parte para conseguir uma gravação que limparia seu nome e arruinaria Quinlan.

A construção dos personagens foi muito bem feita, com Quinlan sendo um arrogante mas com um carater genial e com um forte senso de justiça e Vargas, o correto porém limitado oficial da lei. O filme possui um outro gigantesco plano sequencia, maior e considerado o principal por Welles e é quando Quinlan e seus homens estão na casa do suspeito o interrogando e acabam plantando a prova para incriminá-lo.

“A Marca da Maldade” é um dos representantes da corrente que acabou conhecida como Film-Noir, o que pode ser verificada na sua fotografia com o forte contraste de preto e branco e o uso de sombras como composição das cenas. É um excelente filme e uma boa aula de cinema, presta bastante.

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