A Estrada

The Road – 2009

Direção: John Hillcoat

Roteiro: Joe Penhall

Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Garret Dillahunt


Continuando a falar de filmes pós-apocalípticos, agora é a vez de “A Estrada”, um filme que segundo a opinião de um colega é tão sem clichê, que é de certa forma estranho. Baseado no livro de Cormac McCarthy (o mesmo de “Onde os fracos não tem vez”), “A Estrada” é um filme pós-apocalíptico que não foca na ação para descrever a luta pela sobrevivência das pessoas e sim no drama.

Pai e filho (Viggo Mortensen e Kodi Smit-McPhee, respectivamente) iniciam uma jornada até o sul dos Estados Unidos em busca da solução para seus problemas. O mundo foi devastado anos antes e a mãe do garoto (Charlize Theron) morreu antes dos dois pegarem a estrada. A mulher só aparece em flashbacks do marido, que lembra de partes de sua vida com a esposa grávida e depois do nascimento do filho, mas todas já depois do colapso da sociedade.

A desconfiaça do pai perante a qualquer ser humano, beira a insanidade, ele não confia em ninguém e sequer chega perto de qualquer pessoa, mantendo o filho em um estado constante de alerta. A preocupação maior do pai, é com que as outras pessoas possam fazer com seu filho, já que os anos de escassez de alimentos e de ordem, fizeram com que a maioria das pessoas se tornassem canibais. Uma das cenas mais fortes do filme é quando os dois entram em uma casa e chegam a um porão repleto de pessoas que são mantidas ali como futuros alimentos. Os vilões existem, mas eles quase não aparecem, já que ao menor sinal, pai e filho correm para a direção oposta.

O filme não perde tempo contando o que aconteceu com a sociedade, basta saber que o mundo como nós conhecemos não existe e o que restou dos seres humanos em sua maioria se tornou canibal. O pai tenta de tudo para manter o filho afastado dos “homens maus” e a sua jornada para o sul, mesmo que visivelmente inútil, mostra que ele está disposto a tudo para o bem de seu filho.

A fotografia do filme é belíssima, com um mundo cinza e estramemente vazio. A atuação de Viggo Mortensen é fantástica, tanto como pai ultra-protetor, como de homem em paranóia.

“A Estrada” não é um filme fácil, já que foge bastante do estereotipo de filme de ação pós-apocalíptica. É uma nova visão, e por sinal muito interessante.

Comments
3 Responses to “A Estrada”
  1. Danilo disse:

    Olá,

    Assisti ao filme, porém não vi nenhuma cena onde existe um porão com pessoas para serem devoradas…
    Existia sim um porão, onde eles ficaram um tempo, em uma casa vazia, aparentemente abandonada…

    ====ATENÇÃO – A PARTIR DAQUI SÃO SPOILLERS, SE VOCÊ NAO ASSISTIU, NÃO LEIA =====
    … e eles ouviram latidos, então fugiram. Sabemos mais tarde que os latidos são de pessoas que seguiam eles, para ajudá-los (é assim que o filme termina). O filme, apesar de parecer um pouco parado, é muito complicado e deve ser assistido mais de uma vez. É o que farei, irei assistir novamente quando tiver tempo.

    Abraços.

    Danilo
    PensamentoTI

    • Lucas disse:

      opa.
      cara, tem essa cena do porão que vc mencionou sim. a outra que eu falei é quando eles entram em uma casa, o pai arrebenta um cadeado de uma porta debaixo de uma mesa e eles entram no tal porão. lá, eram mantidos uma cacetada de pessoas, todas elas magrissimas e uma delas fala que eles eram mantidos ali e levados pro açougue (algo do tipo, n me lembro agora). os dois saem correndo do porão, e quando voltam para a cozinha do lugar, os donos da casa aparecem e os dois se escondem no banheiro. a sequencia é pesadíssima, ainda mais que com medo de que as pessoas fizessem algo com o filho, o pai estava disposto a matá-lo, ali no banheiro mesmo.

      enfim, valeu o comentário🙂

  2. Herodoto disse:

    Bom filme, me lembrou o clima de Filhos da Esperança, outro excelente. Essa cena do porão realmente é muito forte. O filme é angustiante e sufocante, não achei complicado, pelo contrário, muito linear. Vale muito a pena. Parabéns pela resenha. Abraço, Herodoto.

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